ONDE O SER SE RENDE AO DEVER: o Vazio Sartreano - Couverture souple

Blake, Noah

 
9798183594010: ONDE O SER SE RENDE AO DEVER: o Vazio Sartreano

Synopsis

E se a desolação não fosse o fim do sentido, mas a sua única condição possível?

Há uma palavra que atravessa toda a filosofia de Sartre sem nunca receber o nome que merece: a desolação. Não o desespero passageiro, não a tristeza, não o niilismo — mas a estrutura mesma de um ser que existe sem fundamento, sem natureza e sem lugar onde finalmente repousar em si. Neste estudo rigoroso e original, Noah Blake propõe uma tese ousada: o homem é um animal desolatus. A desolação não é um afeto a ser curado, mas o horizonte estrutural da existência humana — feita de falta ontológica, de alienação diante do olhar do Outro e do peso inerte da história sedimentada. Distinguindo com precisão a desolação do niilismo e do pessimismo, o livro mostra que é justamente a ausência de garantias que confere peso à liberdade e seriedade à responsabilidade.

No centro da obra, uma intervenção decisiva no debate sartreano: as duas grandes leituras da desolação — a ontológica, que a descreve como estrutura, e a ética, que Francis Jeanson lê como chamado — não são alternativas rivais, mas ordens sequencialmente dependentes.

Primeiro a estrutura; depois, e só depois, o apelo. Uma funda a outra sem deduzi-la; uma resgata a outra do quietismo. É no limiar em que o ser se rende ao dever, sem deixar de ser ser, que se decide a forma mais alta da existência lúcida. Dialogando com a melhor literatura crítica internacional — de Hazel Barnes a Joseph Catalano, de Christina Howells a Thomas Flynn, de David Detmer a Jonathan Webber —, e atravessando O Ser e o Nada, a Crítica da Razão Dialética e os Cadernos para uma Moral, este volume conduz o leitor da descrição da paisagem do vazio até a dissecação anatômica de suas forças, culminando numa proposta sobre como articular lucidez e ação numa época que parece tê-las divorciado.

Uma obra para quem recusa tanto o conforto das narrativas consoladoras quanto a paralisia do diagnóstico — e busca, na desolação, não uma desculpa para o recuo, mas a própria razão pela qual o avanço importa.

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