Este livro trata de uma transformação que já ocorre nos
serviços de saúde brasileiros, ainda que raramente sob o
controle de quem mais a sustenta com dados. Sistemas
preditivos calculam risco de lesão por pressão a partir de
escalas preenchidas por enfermeiros; sensores vestíveis
substituem a aferição episódica por monitorização contínua;
modelos de carga de trabalho orientam decisões de
dimensionamento. Em quase todos esses arranjos, a
enfermagem aparece como fonte de dado e como destinatária
de alerta — raramente como participante da decisão que
define o que será predito, com que finalidade e sob que
responsabilidade.
A obra sustenta uma tese e a examina em nove capítulos:
a inteligência artificial não substitui o julgamento clínico do
enfermeiro, mas redistribui o trabalho cognitivo entre o
profissional e o sistema, e essa redistribuição precisa ser
deliberadamente governada. O percurso vai dos fundamentos
conceituais mínimos — Machine Learning, Processamento de
Linguagem Natural, interoperabilidade — à discussão do
prontuário eletrônico como infraestrutura, das aplicações
clínicas por finalidade, do cuidado centrado no paciente à luz
da teoria de enfermagem, da ética profissional e da
governança institucional, até as competências e a formação.