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Laranja original (67 résultats)

  • Edité par Laranja Original, 2018

    8592875455 / 9788592875459

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  • Edité par LARANJA ORIGINAL EDITORA E PRODUTORA LTDA, Brasil, 2026

    6553120501 / 9786553120501

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    Softcover. Etat : New. 1st Edition. New book, unread, in perfect condition. Text in Portuguese. Softcover, 144 pages, 21 x 14 x 1 cm, 300 g. Published by LARANJA ORIGINAL EDITORA E PRODUTORA LTDA, Brasil, 2026. 1st Edition. Contributors: Paulics, Veronika (editor). Resumo (em português): Há territà rios poà ticos que permanecem pouco visitados para nà s, não por falta de desejo, mas pela ausência de pontes que os conectem Ãs nossas lÃnguas. Este livro à uma das preciosas pontes necessárias: uma coletânea que traz ao leitor brasileiro e à leitora brasileira a voz de poetas catalãs contemporâneas, mulheres que escrevem em uma lÃngua milenar e que, apesar de toda sua vitalidade criativa, seguem sendo pouco conhecidas fora de seu contexto linguÃstico e cultural. A poesia em catalão â" idioma falado não apenas na Catalunha, mas tambà m na Comunidade Valenciana e nas Ilhas Baleares â" possui uma tradição rica que atravessa sà culos, desde os trovadores medievais atà as vanguardas do sà culo XX. No entanto, as vozes femininas, historicamente relegadas a segundo plano, sà nas últimas dà cadas começaram a ocupar o espaço merecido. Esta coletânea à tambà m uma celebração da diversidade està tica que marca a poesia catalã atual atravà s do olhar atento e sensÃvel da tradutora e poeta Veronika Paulics. Aqui, o leitor encontrará desde a delicadeza filosà fica de Gemma Gorga, que nos convida a refletir sobre a criação poà tica com a sutileza de uma casa japonesa onde se pode "escutar o silêncio do vizinho", atà a ternura dos anos serenos de um pai que "com dedos de casca tenra de árvore / inicia-se no caminho dos anos serenos", num poema de Maria Josep EscrivÃ. A coletânea reúne vozes de diferentes gerações e estilos, cada uma representando não apenas uma poà tica singular, mas tambà m uma geografia especÃfica do territà rio catalão. Há a memà ria sensorial do verão mediterrâneo, o cheiro das ruas e a quietude do meio-dia que queima a pele, a reflexão de Antà nia Vicens sobre a lÃngua e a devastação. Marta Pà rez i Sierra nos leva pelas ruas do Raval barcelonês, onde a Rainha usa os pássaros como chapà u e a poeira da misà ria contamina o ar. Anna Gas constrà i metáforas labirÃnticas sobre mulheres em poços, cada uma acreditando beber sozinha atà descobrir, tarde demais, que há outras tambà m caÃdas. Teresa Pascual evoca a guerra e a fome, o contrabando e a resistência de quem celebrou domingos "como qualquer amor sem a guerra". Dolors Miquel nos presenteia com a provocação filosà fica de uma pulga que talvez tambà m olhe para o universo e nomeie seu deus, questionando a relatividade de nossa prà pria existência com humor e profundidade. E há ainda a verve transgressora de poemas que ressignificam sÃmbolos religiosos, transformando orações em manifestos feministas que clamam por libertação e vida. O que une essas vozes distintas não à sà o idioma â" com suas nuances regionais, seus acentos e suas particularidades â", mas uma consciência poà tica aguçada, uma atenção ao mundo que se traduz em imagens precisas. As imagens e a musicalidade da lÃngua são transportadas com rara sensibilidade pelo olhar, pelas mãos e a pulsação de Veronika Paulics. …

  • Edité par Laranja Original, 2000

    8592875099 / 9788592875091

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    Soft cover. Após um hiato de 40 anos, Jorge da Cunha Lima volta com a coletânea de poemas "Troia Canudos". O livro recupera elementos antigos e recontextualiza-os à epopeia tragicorriqueira do homem comum, com rimas surpreendentes, ritmo forte, e uma erudição acessível (versos em português, inglês, francês e espanhol). …

  • Edité par LARANJA ORIGINAL EDITORA E PRODUTORA LTDA

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    paperback. Em minhas pesquisas sobre demência, ouvi desabafos e li depoimentos de parentes que afirmavam não conviverem mais com seus entes queridos quando esses atingiam estágio avançado da doença, "não é mais a minha mãe, é o Alzheimer que está aqui". Era comum, logo em seguida, reencontrarem seus pais, mães e avós em pequenos detalhes, um olhar, um gesto, o relato de uma lembrança, um sorriso. Não era a demência, eram eles que estavam ali. E por isso, tudo valia a pena. A demência está neste livro. Mas ele não é sobre ela. É sobre as pessoas que lidam com doenças como Alzheimer, Parkinson e Corpos de Lewy. Sobre idosos e cuidadores que vivem para além dos sintomas, que sobrevivem para além do diagnóstico. Para representar no mundo ficcional as pessoas às quais dedico estes vinte e nove contos, tracei nestas páginas uma criança que se julga crescida diante do não reconhecimento da avó; uma cuidadora curiosa para descobrir a história de Lucília, a quem o idoso chama na penumbra azul das madrugadas; um senhor com receio de se constranger quando a menina que gesticula e fala demais o alcançar na calçada; um pai prestes a se deparar com a lembrança do quarto vazio; uma senhora que julga amanhecer com os olhos bons para montar um colar de contas coloridas; um irmão equilibrista que no circo da vida também sabe ser o palhaço, e tantos outros personagens que diante de mim parecem reais. Que eles possam existir para você também. Boa leitura.…

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    paperback. A selva urbana não pede licença para se entranhar na carne. Ela invade, violenta, devora a calma e cospe as sobras pela sarjeta. E é desse caos de concreto que Marcelo Valadão extrai sua poesia: áspera, visceral, alucinada. Em Jaguatirica, os poemas se movem como bichos pelas ruas de São Paulo, serpenteando pelas esquinas e rosnando pelos becos esquecidos. Cada verso é um bote, um rasgo na rotina surda da cidade que teima em apagar as singularidades. Mas Marcelo Valadão não se deixa apagar ele grita, ruge, deixa escorrer o suor da vida cotidiana pelos corredores estreitos da mente. Se a selva da metrópole é fria e impessoal, seus poemas, ao contrário, são pulsantes, como se cada animal evocado trouxesse a memória perdida de um humano que já não se reconhece nos próprios gestos. Metáforas de personas esquecidas, de sonhos encarcerados, que o autor desenterra com uma palavra certeira, uma linha seca e urgente. Cada dor e esperança do centro paulistano, onde a vida se condensa em pequenas epifanias e ruídos, transforma-se em poesia que quase toca o surrealismo, num gesto de liberdade e ousadia. Não há narrativa estática, não há caminho previsível: a selva se refaz em cada página, e só quem se arrisca a entrar nela descobre que o poema é também um espelho impreciso, mas sincero.…

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    6553120293 / 9786553120297

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    paperback. Ao mergulhar neste encantador livro híbrido (pequenas prosas poéticas/poemas; metade humana/metade peixe) me senti navegando por espécies de cartas. Cartas escritas à mão, enviadas a barco a um amante-amigo do outro lado do Atlântico, relatando os dias com suas dores e maravilhamentos; cartas-desabafos a uma amiga sobre as maldições que assolam as mulheres que ousam seguir sendo livres e insubmissas; cartas-conversas com o filósofo-profeta do século XIX contando que suas previsões sobre os caminhos da humanidade seguem fervorosas nesses nossos antinaturais dias. Cartas-testemunhos de uma mulher náufrada, que andou pela vida ateando fogo em embarcações que lhe oprimiam o corpo, a alma, as danças e vociferando suas verdades em faces masculinas. Uma mulher náufraga sobrevivente, resistente, carregando bússolas confusas e âncoras quebradas, construindo suas próprias ilhas, seu autorresgate. E que deposita bilhetes enrolados de amor-próprio, de encantamento pela vida em garrafas de vidro a serem jogadas num mar do futuro. Beatriz nos deixa todos esses recados, lembranças, guianças, que me fizeram ouvir os ecos de uns versos de Alejandra Pizarnik: "explicar com palavras deste mundo/ que partiu de mim um barco levando-me". (do prefácio de Clara Baccarin). …

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    paperback. Salvo Engano traz contos que tratam de pessoas e seus vieses mesmo que nos deparemos às tantas com um viés que seja justamente o de ser retilíneo. Sim, existe a sombra ou o sopro de um Bartleby num sonetista anônimo noturno, quase sempre reto. Mas há também uma coleção de vieses, como o do herdeiro que, no fundo, queria herdar apenas uma ou duas palavras, ou o do homem frio que se formou nos porões e, ao vir à luz, traz apenas suas alucinações paranoides e letais. Ou ainda o viés do casal que faz um estranho e tácito pacto pela preservação de um alcoolismo pacificador. Os 39 contos de Salvo Engano trazem retratos. Ora com poucos traços, ora com tinta forte, ora em preto- e-branco, ora em cor quente. Mas todos com uma inconfundível e quase incômoda distorção.…

  • Edité par LARANJA ORIGINAL EDITORA E PRODUTORA LTDA

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    paperback. NOTA DO AUTOR "Agarrar", "atacar", "oprimir", "capturar", "captar", "compreender" são alguns significados do verbo latino rapere, do qual deriva o nome rapiarium. Trata-se de uma compilação de ideias, dizeres, citações e insights nem sempre coesos rapidamente anotados pelo asceta em meditação; pensamentos sobrevindos ao acaso, enquanto o escritor-copista lia munido de tinta e pena. O rapiarium surgiu no contexto da devotio moderna, corrente de inspiração mística do catolicismo, por volta do século XIV, principalmente nos Países Baixos. A prática pressupunha que da experiência do indivíduo se desencadeasse a experiência divina. Assim, ao materializar esses pensamentos por escrito, a intenção era desenvolver o contato permanente com Deus a partir das impressões íntimas despertadas. Esse processo de escrita compreende uma "ruminação com o coração". Assim, as anotações, principalmente as positivas, serviam para o uso oracional de quem escreve, integrando-se à sua vida interior com o intuito de aperfeiçoá-la.…

  • Langue : portugais

    Edité par Laranja Original, 2025

    8592875943 / 9788592875947

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    paperback. NOTA DO AUTOR "Agarrar", "atacar", "oprimir", "capturar", "captar", "compreender" são alguns significados do verbo latino rapere, do qual deriva o nome rapiarium. Trata-se de uma compilação de ideias, dizeres, citações e insights nem sempre coesos rapidamente anotados pelo asceta em meditação; pensamentos sobrevindos ao acaso, enquanto o escritor-copista lia munido de tinta e pena. O rapiarium surgiu no contexto da devotio moderna, corrente de inspiração mística do catolicismo, por volta do século XIV, principalmente nos Países Baixos. A prática pressupunha que da experiência do indivíduo se desencadeasse a experiência divina. Assim, ao materializar esses pensamentos por escrito, a intenção era desenvolver o contato permanente com Deus a partir das impressões íntimas despertadas. Esse processo de escrita compreende uma "ruminação com o coração". Assim, as anotações, principalmente as positivas, serviam para o uso oracional de quem escreve, integrando-se à sua vida interior com o intuito de aperfeiçoá-la.…

  • Langue : portugais

    Edité par LARANJA ORIGINAL EDITORA E PRODUTORA LTDA, 2017

    6553120013 / 9786553120013

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    paperback. Chama a atenção para este livro uma perfeita comunicação entre imagens e poemas, com a alternância de signos trabalhada pela aproximação nos detalhes. O sentido pode estar sujeito a ventos aleatórios, que é como a ciência explica a natureza: tudo é acaso e não há qualquer objetivo traçado (enquanto a religião nos oferece uma lista de sentidos que, mesmo não sendo provados, não deixam de ser sentidos). Dentro de cada sentido, ou da ausência dele, também chamam a atenção os diálogos entre os poemas, isto é, as relações que ocorrem, por outro lado, pelo distanciamento desses detalhes. Como nas imagens, há nos poemas uma variedade de formas biológicas (plantas, cobras, aranhas, galinhas) que explicita o ambiente rural. A vida milenar na lavoura é onde se recebem todos os tipos de sol e chuva (com a passagem de diferentes nuvens), e onde o labor (o trabalho, o negar-se o ócio) é feito ao som de pássaros, insetos e outros bichos. Lá, todo dia o sol levanta, e é onde o espaço e o tempo são mais infinitos pela proximidade da natureza, e onde o cultivo (que leva ao culto e à cultura) já é feito há milhares de anos e vive também os seus momentos de expressar questões pela arte. Os agentes humanos vivem suas paixões e necessidades longe do centro da civilização, e parecem não dar importância à sucessão de fatos ocorridos que não envolvam a sua própria flora e a fauna (na qual se incluem), embora pertencendo a um mesmo ciclo de criação e destruição, ordem e desordem. Na cosmogonia de Tânia, tudo isso faz parte. Filipe Moreau.…

  • Langue : portugais

    Edité par LARANJA ORIGINAL EDITORA E PRODUTORA LTDA, 2025

    8592875943 / 9788592875947

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    paperback. NOTA DO AUTOR "Agarrar", "atacar", "oprimir", "capturar", "captar", "compreender" são alguns significados do verbo latino rapere, do qual deriva o nome rapiarium. Trata-se de uma compilação de ideias, dizeres, citações e insights nem sempre coesos rapidamente anotados pelo asceta em meditação; pensamentos sobrevindos ao acaso, enquanto o escritor-copista lia munido de tinta e pena. O rapiarium surgiu no contexto da devotio moderna, corrente de inspiração mística do catolicismo, por volta do século XIV, principalmente nos Países Baixos. A prática pressupunha que da experiência do indivíduo se desencadeasse a experiência divina. Assim, ao materializar esses pensamentos por escrito, a intenção era desenvolver o contato permanente com Deus a partir das impressões íntimas despertadas. Esse processo de escrita compreende uma "ruminação com o coração". Assim, as anotações, principalmente as positivas, serviam para o uso oracional de quem escreve, integrando-se à sua vida interior com o intuito de aperfeiçoá-la.…

  • Langue : portugais

    Edité par LARANJA ORIGINAL EDITORA E PRODUTORA LTDA, 2025

    8592875927 / 9788592875923

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    EUR 36,98

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    paperback. A morte é um evento brilhante? O nascimento é algo obscuro? A vida é sim cíclica e, como a conhe-cemos, dual. Supernova, segundo livro de poemas da paulistana Sabrina Marsigli, amalgama as dualidades do ser: as potencialidades e as debilidades da alma num mesmo livro. Generosidade e egoísmo, entusiasmo e apatia, trabalho e repouso, risco e segurança. Em um dia, o otimismo de viver com leveza e tranquilidade; em outro a lucidez de se saber fraca e imperfeita. Às vezes, o peso da autocobrança nos puxa para baixo, o excesso de pensamentos nos tira do prumo. Mas no instante seguinte, a beleza da vida volta a se cristalizar diante dos olhos e nos ancora em nosso ser com alegria e redenção. Outro tema importante na obra de Sabrina é o tempo. Tantas vezes temido, pode se mostrar artista e amigo: sua passagem liberta, floresce e cura. Na pele, vinca a graça de habitar um corpo com falhas ou vícios mas seu; presente e pulsante. E saber de tal finitude é um convite a viver o hoje com total presença e entrega. Supernova fala de crises, de afeto, de reflexões sobre a vida. Reflexões sobre as dores e as delícias de se ter um corpo e viver na Terra. Viver com coragem a oportunidade de estar viva.…

  • Langue : portugais

    Edité par LARANJA ORIGINAL EDITORA E PRODUTORA LTDA, Brasil, 2024

    8592875838 / 9788592875831

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    paperback. Prometeram-me ensinar o segredo do equilíbrio". Eis o livro inteiro de Diuli de Castilhos, o livro de uma aprendizagem, a do equilíbrio. Mas equilibrar-se não quer dizer, necessariamente, ficar parada e de pé. E, sim, se mover, cair, levantar e, principalmente, continuar se movendo. E, para isso, vale preparar a mochila, porque a viagem vai ser longa. Acho que, na verdade, a viagem nem termina. Mesmo que se leve dentro também "puro desgosto dor de estômago". Pois é, "eu carrego minhas coisas comigo". Só que às vezes (muitas vezes) a sacola rasga, a caixa molha e as coisas com o nosso nome caem, ficam pelo caminho e vamos nos transformando, trocando de pele, de nome e de vida. Por isso, não dá para parar. Seja de ônibus, de trem, na garupa ou a pé, a voz que fala neste livro está saindo de casa, e essa casa tem endereços que passam em muitos países. Voz que se despedaça em mil pedacinhos, mil coisas, "como se as coisas não passassem/de penduricalhos a nos separar do mundo". Daí tudo emperra, dá defeito, "meu caminhãozinho/ arriou da tua areia// chamaram resgate/ a carga vai noutro/melhor equipado/ (.)/ vou colar um adesivo/ e quan do estiver/de pneus novos/de volta à estrada/to dos vão saber". É assim mesmo que se vai adiante, tropeçando nos quebra-molas da estrada ou dando cambalhotas no ar. É assim mesmo que "a vida se abre a cada passo rolando pedra". Tem tanto deslocamento no livro que, é claro, o corpo também se move na direção do outro corpo, corpos que se mexem juntos, que aprendem juntos, que se aproximam, se afastam e se quebram. Mas de tudo fica um pouco: "ruas que conheci primeiro/pela tua boca de nomes inteiros". Meio romance de formação, meio rito de passagem: "sigo acumulando falhas de formação". Certa vez, um autor conterrâneo de Diuli e citado por ela escritor também dos ritos e das falhas disse que escrever é enfiar o dedo na garganta, vomitar o que se leu e virou alimento. Só que Diuli de Castilhos lembra: "primeiro, dedo na goela". Equilibrar-se inclui se desequilibrar. Por isso, o movimento é também vertical, o da queda: "preciso de um esforço muito grande para escrever". Partir-se, espatifar-se e ir parar numa redoma de vidro até fazer dela uma kitnet. Igualmente parti-la para se espatifar junto dela em mil pedacinhos, fundi-los até se liquefazer: "escorro via terra", "tudo pode deslizar muito rápido a ponto/de não se poder distinguir o chão/do que vem do ventre da terra". Ela está falando de nascer de novo. …

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    EUR 50,85

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    paperback.

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    paperback. Aos 17 anos, Isabela Soares estreia na poesia com muita personalidade. Neste livro não há nenhum tipo de utopia, platonismo ou idealização da vida, mas nele se retrata uma condição humana que está do avesso, para além do que é triste e sem saída, sem ilusão ou esperança. Nele também não se ensina a autoajuda, mas atenta-se ao amor à flor da pele como algo assustador. Amor, morte, fantasias mais livres e assuntos do cotidiano se alternam entre os temas abordados, recebendo um banho de imaginação fértil (que é própria do fim da adolescência) e sendo moldados por uma poeta capaz de criar cenas, eventos e situações inusitadas. Aqui, a vida é cruel, o mundo é cão e não há a possibilidade de pará-lo para alguém descer. Pode-se, talvez, imaginar o que viria depois da vida o que também aparece no livro, mas de maneira muito sutil. O título é inspirado em uma música do Cazuza, vendo-se logo o quanto uma geração anterior foi capaz de influenciar outra (em específico o público das grandes cidades e da cultura de massa), levando a uma mesma temática sobre os desafios inúteis, as dificuldades e o desamparo, junto à sensação de um amor que é excessivo, exaltado, próprio da liberdade e insistente na expressão emocional. Talvez o leitor mais estudado possa reconhecer nesse tipo de poesia algo de Augusto dos Anjos (1884-1914), poeta paraibano do pré-modernismo, que em sua crítica à hipocrisia dos hábitos tradicionais (e munido de muito pessimismo) desconstrói crenças, verdades e costumes sem fundamento que já não teriam praticidade ou qualquer sentido. Isabela Soares fala da morte com um niilismo latente e assumido, em uma espécie de visão crua do mundo, advinda de um pensamento que é também de puro realismo aplicado às relações em sociedade. Se por um lado ela fala de nossa irrelevância, da desimportância das coisas e de certas relações, há também as histórias bonitas de reinos que nunca existiram, de pessoas (com nomes próprios bem realçados) que podem ser até verossímeis, mas certamente não são reais. É quase um contraponto, mas também não são histórias que terminam exatamente felizes. O que se percebe, realmente, é uma dualidade, mostrando que apenas em teoria aceitamos as coisas como são e o mundo como ele é. Nem o mundo interno nos salva, porque ele é invisível e solitário. É quase uma demonstração de que a vida não faz sentido, mas também não há gravidade nisso. Se aparentemente se descrê de um aprendizado maior (a religião é citada de modo sutil, mas tem-se a impressão de que em uma conversa com Deus, ele apenas assiste), é também uma forma de crítica, mostrando que há pessoas vivendo simplesmente à espera da morte (como expressou um famoso roqueiro), e que quem foge a esse padrão estaria apenas em condição de desespero. Ou seria de lucidez? Cabe a pergunta: então por que a autora escreve? Ela precisa? Seria para satisfazer a um romantismo disfarçado na voz íntima de quem sabe que não há caminho satisfatório? É pior o excesso ou o comedimento? Na consciência de que o que dói é a falta de amor, pode-se até sofrer pelo abandono, mas o que dói mesmo é não se reconhecer é não se aceitar dentro da realidade mundana: é fugir do que se busca, em meio ao caos, que é saber sobre si mesmo. Para o leitor, vale a pena matar essa curiosidade. Sua sorte está lançada. Filipe Moreau.…

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    Etat: Occasion

    EUR 52,70

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    paperback. A região de Canaã (hoje Israel, Jordânia, Líbano e Síria) foi tomada por muitos impérios antigos: o hitita (c. 1600-1180 a.C.), o egípcio (c. 1550-1069 a.C.), o assírio (c. 1200-612 a.C.), o neo-babilônico (c. 626-539 a.C.) e o persa (c. 550-330 a.C.), o macedônico (c. 336-323 a.C.), o romano (63 a.C.-476 d.C.) e o bizantino (476-1453). No começo da era do Ferro (c. 1200 a.C.), os cananeus formavam uma grande civilização de cidades-estado que, como a grega e a indiana da época, não tinha reino unificado, mas praticava uma religião comum, influenciada por deuses do Egito e da Mesopotâmia. Segundo a Bíblia, viviam em "uma terra que jorra leite e mel", até serem vencidos pelos primeiros israelitas e se dispersarem. Hoje se sabe que deixaram uma pequena herança genética entre árabes e judeus. Ainda segundo a Bíblia, os cananeus foram expulsos à época de Josué, sob orientação divina, após o Êxodo. Mas estudos linguísticos descrevem os dialetos israelita e judaíta como próximos ao fenício, ao moabita e ao edomita (haveria uma rama "cananita central" de israelita e fenício separada de um "cananita periférico" de judaíta, amonita, moabita e edomita). De qualquer forma, o livro Números mostra que o paganismo dos cananeus influenciou o povo judeu. A Bíblia descreve a Casa de Davi e sua dinastia como um primeiro reino organizado na região Sul. Na Mesopotâmia já havia cidades-estado mais importantes como Ur, que aparece no Gênesis, cada uma com sua própria deidade (a de Ur era Nana, divindade lunar suméria). Nos séculos X e IX a.C., Jerusalém era apenas uma das quatro maiores cidades da região, e não mandava nas outras. Judá só se tornou importante nos séculos IX-VIII a.C., antes de cair em mãos assírias. Com o império assírio (c. 722 a.C.), os reis tornaram Judá um estado submisso e dono do comércio de azeite, como a época dos egípcios. Jerusalém aumentou sua população e se impôs às outras cidades. Muitos refugiados levaram para lá a ideia de Javé único, que se tornou ideologia de estado por pelo menos dois reinos. Mas o culto não era só monoteísta: Javé era apenas reconhecido como o maior dos deuses. Com a queda dos assírios (c. 610 a.C.), tentou-se a independência, mas Jerusalém foi destruída pelo novo império, o neo-babilônico. A tomada de Judá (586 a.C.) levou a corte ao exílio, onde sacerdotes e escribas desenvolveram a primeira ideia de Javé como único deus do mundo. No começo do período persa (538 a.C.), os judeus exilados voltaram mais coesos, passando a controlar a nova província persa e aumentando ainda mais sua tendência ao monoteísmo. Judá passou a se chamar Iehud, e no império macedônico foi absorvida pelos reinos gregos. Em 167 a.C., os judeus se rebelaram e criaram o reino da Judeia, primeiro um estado-vassalo de Roma e depois se tornando independente. Nesse processo, os profetas judaicos aumentaram a crença em seu Deus único, ensinando o decálogo e as principais revelações ao povo. O monoteísmo vem de Abraão, o primeiro patriarca bíblico. Na origem do judaísmo estariam as histórias dos reinos de Judá e de Israel, ambas cultuando Javé como Deus de seus reinos. O monoteísmo teve antecedentes no Egito (no século XIV a.C. o faraó Akhenaton impôs o culto ao deus Aton), na Pérsia (em c. 1100 a.C. o zoroastrismo via Áura-Masda como deus supremo e transcendental, em meio à concepção dualista de Bem contra Mal, que chegaria a outras religiões como, depois, o cristianismo), na Índia (em 1000 a.C., o livro X do Rig Veda reduzia tudo o que existe a um único princípio, condicionador de todos os seres) e na Assíria (no século VIII a.C. pregava-se o domínio universal do deus Ashur, ao que reagiram alguns grupos israelitas, enfatizando o poder único de Javé). O cristianismo surgiu de dentro do judaísmo, ao longo do século I d.C., com a história a que se dedica este estudo. Veio de uma pequena seita formada pelos discípulos de Jesus, que seria o Messias prometido de Israel. Ela recebeu adesão ampla da Judeia a Roma e logo se tornou religião, enquanto a maioria dos judeus não aceitava Jesus como Messias, esperando a sua vinda. As religiões cristãs se baseiam na Bíblia (nome dado ao conjunto de escrituras consideradas sagradas ao longo do tempo pelo povo judeu o plural de biblíon, que em grego quer dizer "livro"), em especial o Novo Testamento, que começa pela história de Cristo e traz seus ensinamentos. As Bíblias católica e evangélica descendem da judaica, inicialmente composta em hebraico (à exceção de alguns poucos trechos em aramaico) e depois em grego. A Tanakh, de 613 mandamentos, ensina a praticar justiça, caridade e responsabilidade social, e é até hoje um guia para os judeus. De seus 24 livros (divididos em Torá, Neviim e Ketuvim) derivam o Antigo Testamento da Bíblia católica (46 livros) e o da evangélica (39), ambas tendo 27 livros no Novo Testamento. Assim, a Bíblia cristã, de Jó (o livro mais antigo, de c. 1500 a.C.) ao Apocalipse (o mais recente, de 90 d.C.), foi escrita em cerca de 1.600 anos. Não é, portanto, um só livro, mas o conjunto deles, e sua complexidade de composição nunca foi totalmente desvendada. Os mais antigos vieram de canções e histórias da tradição oral passada de geração em geração, como o Mahabharata e a Odisseia. Ou seja, são textos elaborados e memorizados por muitas pessoas, quase todas desconhecidas e praticantes de diferentes culturas. Os cristãos são hoje 28% dos seres humanos (2,3 em 8,2 bilhões). Este estudo aproxima as narrativas dos quatro Evangelhos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João, fonte de inspiração de toda a cristandade) e faz citação a alguns apócrifos (textos atribuídos a Tiago, Tomé, Pedro, Filipe, Maria Madalena, Pilatos, Nicodemos, José de Arimateia e Marcos). Filipe Moreau Editor, músico e poeta, dono da Laranja Original.…

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    6553120013 / 9786553120013

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    paperback. Chama a atenção para este livro uma perfeita comunicação entre imagens e poemas, com a alternância de signos trabalhada pela aproximação nos detalhes. O sentido pode estar sujeito a ventos aleatórios, que é como a ciência explica a natureza: tudo é acaso e não há qualquer objetivo traçado (enquanto a religião nos oferece uma lista de sentidos que, mesmo não sendo provados, não deixam de ser sentidos). Dentro de cada sentido, ou da ausência dele, também chamam a atenção os diálogos entre os poemas, isto é, as relações que ocorrem, por outro lado, pelo distanciamento desses detalhes. Como nas imagens, há nos poemas uma variedade de formas biológicas (plantas, cobras, aranhas, galinhas) que explicita o ambiente rural. A vida milenar na lavoura é onde se recebem todos os tipos de sol e chuva (com a passagem de diferentes nuvens), e onde o labor (o trabalho, o negar-se o ócio) é feito ao som de pássaros, insetos e outros bichos. Lá, todo dia o sol levanta, e é onde o espaço e o tempo são mais infinitos pela proximidade da natureza, e onde o cultivo (que leva ao culto e à cultura) já é feito há milhares de anos e vive também os seus momentos de expressar questões pela arte. Os agentes humanos vivem suas paixões e necessidades longe do centro da civilização, e parecem não dar importância à sucessão de fatos ocorridos que não envolvam a sua própria flora e a fauna (na qual se incluem), embora pertencendo a um mesmo ciclo de criação e destruição, ordem e desordem. Na cosmogonia de Tânia, tudo isso faz parte. Filipe Moreau.…

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    8592875927 / 9788592875923

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    paperback. A morte é um evento brilhante? O nascimento é algo obscuro? A vida é sim cíclica e, como a conhe-cemos, dual. Supernova, segundo livro de poemas da paulistana Sabrina Marsigli, amalgama as dualidades do ser: as potencialidades e as debilidades da alma num mesmo livro. Generosidade e egoísmo, entusiasmo e apatia, trabalho e repouso, risco e segurança. Em um dia, o otimismo de viver com leveza e tranquilidade; em outro a lucidez de se saber fraca e imperfeita. Às vezes, o peso da autocobrança nos puxa para baixo, o excesso de pensamentos nos tira do prumo. Mas no instante seguinte, a beleza da vida volta a se cristalizar diante dos olhos e nos ancora em nosso ser com alegria e redenção. Outro tema importante na obra de Sabrina é o tempo. Tantas vezes temido, pode se mostrar artista e amigo: sua passagem liberta, floresce e cura. Na pele, vinca a graça de habitar um corpo com falhas ou vícios mas seu; presente e pulsante. E saber de tal finitude é um convite a viver o hoje com total presença e entrega. Supernova fala de crises, de afeto, de reflexões sobre a vida. Reflexões sobre as dores e as delícias de se ter um corpo e viver na Terra. Viver com coragem a oportunidade de estar viva.…

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    6553120374 / 9786553120372

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    paperback. Livro Talvez eu apague essa crônica, de Muscat, Drica. Editora: LARANJA ORIGINAL EDITORA E PRODUTORA LTDA.

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    6553120382 / 9786553120389

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    paperback. Livro Pode me olhar com cara de bicho, de Morelli, Marcos. Editora: LARANJA ORIGINAL EDITORA E PRODUTORA LTDA.

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    6553120277 / 9786553120273

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    paperback. Tenho nas mãos as chaves do presente ausente. Moro no limiar do que à e do que deixa de ser. Contenho em mim a rigidez da ancestralidade e a fluidez do inesperado. No dissipar das brumas, sou a clara realidade do total desconhecido. Na escuridão das minhas à rbitas sem fim, lampejam as revelações.…

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    paperback. Guilherme Dearo une em Um lugar qualquer duas artes fotografia e poesia que têm em comum algo muito especial: a revelação. Uma imagem nos revela "o momento decisivo", como chamou Cartier-Bresson, que fica congelado no tempo. Um poema nos revela um novo sentido relacionado à linguagem, algo inaugural. As duas juntas, aqui, nos dão uma coleção de fotos-poemas que transbordam humanidade nos seus gestos cotidianos, em brincadeiras de crianças, grupos de amigos ou poses arranjadas. Os poemas recriam as imagens e vice-versa. Com o livro nas mãos, sentimos o "esmagamento do tempo", como chamou Roland Barthes, quando passado (momento em que a foto foi tirada) e presente (quando está sendo observada) se confrontam e se confundem. E podemos acrescentar, talvez, um futuro. O "sonhar com o próprio futuro", como diz um dos versos de Dearo, já que o autor, com o poema, imagina algo que vai perdurar na mão de uma geração futura ou na memória do leitor. Partindo sempre de uma concretude (algo que costuma ser base sólida para os bons poemas), num tom bem-humorado e gentil, Dearo recria, num trabalho preciso com a linguagem, imagens perdidas em feirinhas de antiguidade que não podem mais ser contextualizadas com exatidão. Mas podem, sim daí a alegria que nos dá este livro fazer par e gerar algo novo com estes curtos e belos poemas. Michaela Schmaedel. …

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    paperback. Iniciado em 1916 e publicado pela primeira vez em 1921, o poema "Esboço de uma Serpente", de Paul Valéry, impressionou vivamente os escritores do porte de Joyce e Eliot. Na poética de Valéry a Serpente é o símbolo do pensar. o Os Cadernos, escritos num período de 50 anos, entre 1894 e 1945, constituem uma constelação magnífica de seus pensamentos em linguagem aforismática. Os textos aqui reunidos, a tradução do poema "Esboço de uma Serpente" e os fragmentos dos Cadernos querem montar um ideograma do universo mental de Paul Valéry do poeta-pensador ao pensador-poeta. o A Serpente que morde a própria cauda ("Eu mordo aquilo que posso") é o tema do extraordinário escritor francês que, no dizer de Borges, "personifica os labirintos do espírito".…

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    paperback. "Aquilo a que chamamos rosa, com outro nome, teria o mesmo perfume encantador." William Shakespeare Shakespeare toma o nome da rosa para exaltar a essência das coisas substantivas. O que há em um nome?, indaga Julieta. E o que há neste livro, senão aquilo que transcende a tessitura dos signos revelada na subjetividade sublime do traço concreto? Na cultura inaugural do Oriente, o traço é o princípio da consciência: um yang que se desdobra em yin na origem do céu e da terra e cultiva toda a realidade pulsante. Aqui, Rosa Cohen exerce a habilidade da captura do espírito, da essência que permeia um universo de significados. Seu instrumento é a arte fugaz do sumiê, que teve origem na dinastia Tang na China, antes de migrar para o Japão através dos discípulos de Sidarta Gautama. Seu ponto de partida é o exercício gestual que guarda o mesmo anseio milenar dos artistas atemporais, e nele Rosa traduz-se na expressão de sua própria existência, capaz de sequestrar do contraste entre tinta e papel o perfume das almas femininas que a todos habitam anima é isso espírito necessário que capta a relação fundamental entre a 'origem do mundo', conforme Courbet, e de tudo o que coloca o humano em marcha: um giro de 180 graus e a vulva volante torna-se homem. Eis a tessitura deste livro, que como semente espalha-se no campo dos Campos, onde a pá-lavra e faz florescer vinhas e espinhas. Na graça expressa, na dobra da espinha do ideograma mulher, a vulva livre voa no ápice, no cume de Cummings, talvez. No cair da folha (uma pétala da rosa) que dança no ar espalhando o panorama e o sabor do doce deleite do ver-leitura de todo o texto tecido alquímico. É o ballet do signo que se transforma no ideograma 'pessoa' e finge a dor que deveras sente aquele que baila nos sertões e veredas d'alma de outros Rosas: Guimarães e Cohen, sussurrando assim uma semiose infinita. Ver-ler esta obra é quase um revelar ao contrário, um mergulho recôndito, descoberta íntima. Bandeira branca que aplaca a guerra intestina e acende o fervor de si mesma na concreta ação de lançar-se para muito além da superfi cialidade hodierna. Um desafio à condição humana única que promove o encontro tríplice dos afluentes do processo de significação: corpo, emoção e razão. A busca do ser por inteiro no jogo de dados da existência. A trama dos textos dos livros de cabeceira escritos em pele e sangue. Neles jogam-se os dados. Dados lançados. Resta o alerta do poeta: Um lance de dados jamais abolirá o acaso. Ronaldo Marin Roteirista e diretor do Instituto Shakespeare Brasil.…

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    paperback. O corpo fala. E quando não fala, lateja. Neste livro, não há verso inocente: cada palavra é um corte, cada pausa, um fiapo de sangue estancado na beira da boca. meu corpo é testemunha, de Mauricio Rosa, não descreve encosta. Não narra atravessa. Os poemas carregam a língua do Brasil mais fundo: fala de beira de estrada, feira, beco, terreiro. Misturam o rude e o terno, o facão e o cafuné, o rastro da reza e o estilhaço da blasfêmia. Há pólvora e saliva, sexo e santidade, tudo num mesmo sopro. Aqui, o verso é chão batido, é vento que levanta poeira, é pele que guarda marcas. A cadência vem de quem aprendeu a falar com as mãos, com os dentes, com o corpo inteiro. O poema se deita e se levanta como quem combate e ama no mesmo gesto. A leitura deixa vestígios arranha, lambe, fere, consola. Porque o corpo, quando testemunha, nunca volta ileso.…

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    paperback. A segunda obra da escritora e designer Valéria Midena aborda a memória de modo singular. Fragmentos das lembranças da protagonista, em diálogos e narrativas, funcionam como eixo que conecta vários gêneros, como verbetes, poemas, depoimentos e estudos científicos. Informação e reflexão reúnem-se à literatura em busca de entender do que é feita, afinal, a memória.…

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    paperback.

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    paperback. Netuno é um romance que percorre um caminho irregular, tão flutuante como a superfície de um planeta gasoso. É também um ensaio sobre os horários intermediários, os vínculos familiares, uma meditação sobre as órbitas que perfazemos quase que involuntariamente e uma contemplação das forças que regem a nossa trajetória. É um pequeno tratado sobre as atenções e uma gentil celebração do sono e do sonho. Embora boa parte de seu conteúdo seja verdadeiro, a vontade que o traz à superfície é sempre guiada pela imaginação, levada pela beleza de suas imagens e pelo efeito de suas especulações inconclusivas. Os seus personagens sem nome se iluminam brevemente a partir da relação que guardam com um narrador preguiçoso, embriagado de sono, e acomodado na penumbra de uma caverna.…